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Programa trata da Saúde Mental no contexto da Reforma Psiquiátrica

Com o objetivo principal de desenvolver ações de cuidado e educativas em defesa dos direitos e para o resgate da cidadania de pessoas em sofrimento psíquico ou dependência e abuso de álcool e outras drogas, o programa de extensão “Saúde Mental no contexto da Reforma Psiquiátrica” vem realizando atividades desde 2004, sob a coordenação de Sonia Regina Zerbetto e com participação de Angélica Martins de Souza Gonçalves, ambas docentes do Departamento de Enfermagem (DEnf) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Atualmente, dois projetos são desenvolvidos no âmbito do Programa. A “Oficina terapêutica sociocultural”, coordenada por Zerbetto, é desenvolvida no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), em São Carlos. Por meio da iniciativa, as pessoas atendidas no CAPS participam de atividades culturais, no próprio local ou em visitas a museus, teatros, bibliotecas e outros espaços, sempre nas manhãs das quintas-feiras, além de dinâmicas com foco nos âmbitos terapêutico e social. “O projeto envolve anualmente aproximadamente 15 usuários do CAPS-AD, uma bolsista de graduação e outra da pós-graduação de Enfermagem, bem como acadêmicos do curso de graduação em Enfermagem, durante a disciplina de Atenção à Saúde Mental, ofertada no sexto semestre do curso”, conta Zerbetto. “A oficina tem por objetivo trazer a prática clínica aos estudantes de graduação e, ao mesmo tempo, oferecer aos usuários do CAPS-AD uma atividade no eixo terapêutico e sociocultural”, explica.

Já o projeto “Rastreamento e intervenções breves para o uso de álcool e tabaco na gestação”, coordenado por Gonçalves, tem interface entre pesquisa e extensão e é desenvolvido pela mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) Adaene Alves Machado de Moura desde o começo deste ano. A proposta é fazer um levantamento e propor intervenções para reduzir ou cessar o consumo de álcool e tabaco por gestantes vinculadas a unidades de Atenção Primária de São Carlos. Por meio de questionários aplicados junto a este público, é identificada a forma de consumo dessas substâncias e, em seguida, oferecida uma intervenção educacional, ressaltando os problemas associados ao uso de álcool e tabaco, tanto para a mãe, quanto para o feto. Caso a gestante seja identificada como provável dependente de álcool, é feito o encaminhamento dessa mulher para o CAPS-AD. “A experiência deste projeto tem sido bastante produtiva. Temos retomado o contato com as gestantes após a intervenção e observamos que algumas realmente têm se motivado a modificar seu comportamento de beber e fumar quando se deparam com informações pautadas em evidências científicas. Nossos resultados têm sido mais promissores do que os que projetamos inicialmente”, afirma Gonçalves.

Outras atividades desenvolvidas no programa de extensão desde a sua criação são seminários; cursos de extensão (no formato de Atividades Curriculares de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão – Aciepes); as oficinas terapêuticas; capacitação de profissionais da rede de Saúde para utilização de instrumentos de rastreamento de uso de álcool em adultos e gestantes; produção científica e apresentação de trabalhos em eventos nacionais e internacionais; o projeto “Prevenção para o uso de álcool e drogas entre usuários e familiares de um serviço de base comunitária de Saúde Mental” (com recursos do Programa de Apoio à Extensão Universitária – ProExt – do Ministério da Educação); e iniciativa de capacitação de professores dos ensinos Médio e Fundamental para prevenção do uso de álcool e outras drogas em escolas (financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – e em parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso).

Reforma Psiquiátrica
O Programa frente à importância do conteúdo teórico-científico e prático na Reforma Psiquiátrica, entendida como um processo social complexo, que envolve a mudança na assistência à Saúde Mental de acordo com novos pressupostos técnicos e éticos, a incorporação cultural desses valores e a convalidação jurídico-legal desta nova ordem. A Reforma ainda está ocorrendo, e o modelo brasileiro teve várias influências, principalmente da Itália. “As mudanças no tratamento de pessoas com transtornos mentais começaram no final da década de 1970 e ocorreram na estrutura física, com fechamento de hospitais psiquiátricos e criação de serviços substitutivos ao manicômio; na legislação; no conteúdo teórico-científico; nas relações entre profissional e usuário dos centros de atenção; além do amparo, reintegração à sociedade, cuidados, enfim, transformações em saberes e práticas nas dimensões técnico-assistenciais, sociais, culturais e políticas”, conta Zerbetto.

Publicado por: Mariana Ignatios
Em 11/04/2018